Um grandioso projeto para levar a arte da lírica para todos, criando um verdadeiro corredor de ópera entre Londrina e Maringá. O “Ópera, por que não?”, aprovado no Programa Estadual de Fomento e Incentivo à Cultura – PROFICE, capitaneado pela Secretaria de Estado da Cultura do Governo do Estado do Paraná, que conta com o patrocínio da COPEL – Companhia Paranaense de Energia, segue com o edital aberto e o primeiro recital já tem data para acontecer, com os selecionados pelas audições, após passarem pelas primeiras masterclasses.

 

Desde o seu lançamento, no final de 2023, o edital tem atraído a atenção de cantores e pianistas correpetidores de todo o Brasil. A união de um processo pedagógico, conduzido por módulos, às apresentações artísticas que encerram os trabalhos é algo muito importante para a desmistificação do canto lírico como manifestação cultural voltada a poucos, sejam estes públicos ou alunos.

 

O produtor executivo da proposta e um dos seus idealizadores, Álvaro Canholi, da PÁ! Artística, explica que, ao contrário do que se pode pensar e como sugere o próprio nome do projeto, a ópera é para todos. “Queremos que toda e qualquer pessoa que tenha algum tipo de experiência com o canto, não importa o estilo, venha participar conosco. Se o canto faz parte da vida dessa pessoa, por que o projeto não seria para ela?”, indaga.

 

O edital, que pode ser acessado pelo site da Associação de Cultura Italiana I Bravissimi (https://www.ibravissimilondrina.org/projetos ), cuida de forma mais pormenorizada do processo, mas o vídeo que deve ser encaminhado pelo formulário de inscrição (disponível em https://forms.gle/g3H1iNoMnTSKpFLz9 ) pode ser simplificado, gravado de maneira muito caseira, com o próprio celular. “Também passamos a aceitar gravações feitas anteriormente, independente de quando ela tenha sido realizada, em qualquer evento e com qualquer acompanhamento”, completa Canholi. A produção também modificou outra exigência presente no edital: alunos de Londrina e Maringá poderão acompanhar os módulos realizados nas próprias cidades e a carga horária relativa a todo o processo de formação poderá ser completada de outras maneiras, até mesmo com as mentorias on-line com os professores.

“Construiremos juntos a carga-horária, de maneira ajustável à realidade de cada candidato. Outro ponto importante é que quem não conseguir enviar o material para a banca avaliadora, poderá fazer a audição presencialmente, antes de começar o próprio percurso dentro do ‘Ópera, por que não?’”, afirma o produtor.

 

A proposta pedagógica divide o processo formativo em dois programas: um para cantores líricos e outro para pianistas correpetidores (instrumentistas especializados em acompanhar atividades docentes, principalmente no estudo do canto lírico e da regência). Ao todo, serão seis módulos de ensino, mais um módulo especial de montagem de espetáculo, oferecidos, no total, para 30 alunos regulares (20 cantores e 10 pianistas) e para até 15 ouvintes (10 cantores e 05 pianistas). Todos os selecionados participarão de forma gratuita, pois o curso será inteiramente fornecido pelo projeto.

 

Canholi indica que, como o projeto é aberto para todo o Brasil, é recomendado que alunos de regiões mais afastadas procurem formas de garantir seu deslocamento e permanência nas cidades-sedes durante as semanas correspondentes aos módulos. “Sugerimos ao aluno interessado que se inscreva, mas que entre em contato de forma antecipada com as prefeituras ou governos dos estados onde residem para verificar possiblidades de conseguirem ajuda de custo para viagens, sendo possível, inclusive, o encaminhamento por parte da produção de uma carta de recomendação. No caso de hospedagens e alimentação, poderemos dar suporte, analisando cada caso em particular”. Importante ressaltar que 50% das vagas são reservadas para alunos paranaenses; o projeto permanecerá recebendo as inscrições até a metade de abril, antes do início do segundo módulo, na cidade de Maringá.

 

CAFÉ CONCERTO – O projeto é também uma iniciativa de formação de público para a arte do canto lírico, pois levará apresentações de artistas em processo de formação para a população paranaense. O primeiro encontro acontece no sábado, dia 03 de fevereiro, no Sesc Cadeião, em Londrina, às 10h, com entrada gratuita e classificação livre. O recital contará com cantoras líricas selecionadas pelo projeto, acompanhadas pelo pianista Matheus Alborghetti. Os presentes ainda poderão participar de uma visita guiada ao Museu do Café, que oferece uma bela experiência imersiva na história cafeeira enquanto patrimônio cultural da Cidade. Antes, na última semana de janeiro, os inscritos participam do primeiro módulo do projeto “Ópera, por que não?”. As masterclasses acontecem em vários períodos, seguindo a disponibilidade dos selecionados, sendo que o primeiro módulo tem como professores o tenor Paulo Mandarino, a cantora Izabel Padovani e o Maestro Alessandro Sangiorgi que também é diretor artístico do projeto, acompanhados pelo pianista Matheus Alborghetti.

 

O tenor Paulo Mandarino estudou piano, violino e regência, além do canto lírico e sua estreia profissional foi como Edgardo, em Lucia di Lammermoor, de Donizetti, em 1988. Desde então, apresenta-se com regularidade nos teatros e casas de concertos no Brasil. Em 2001, recebeu do Ministério da Cultura a Bolsa Virtuose, para aprimorar seus conhecimentos na Accademia Lirica Italiana, em Milão, com o tenor Pier-Miranda Ferraro. Já se apresentou em várias cidades no Brasil e na Europa e em salas de concerto e festivais.

A cantora Izabel Padovani vem se destacando na cena musical brasileira desde sua volta ao Brasil depois de uma década vivendo em Viena, na Áustria. Em 2005 venceu o respeitado Prêmio Visa de Música Brasileira, fato que serviu como ponte para sua volta definitiva ao país. Graduada em Licenciatura em Música pela UFSCar e pós-graduada em Música pela Unicamp, é professora de Técnica Alexander, formada pelo The Alexander Technique Teacher Trainning Centre, em Viena, e vice-diretora da escola Centro de Estudos da Técnica Alexander em São Paulo. Em Londrina, durante o primeiro módulo, realiza um workshop para os inscritos sobre a Técnica Alexander, um método de reeducação psicofísica que foi desenvolvido por Frederick Matthias Alexander no final do século XIX e que visa a reeducar os padrões de movimento e postura, promovendo maior consciência corporal e eficiência nos movimentos do dia a dia.

 

Maestro Alessandro Sangiorgi (Foto Rei Santos)

O Maestro Alessandro Sangiorgi nasceu em Ferrara, na Itália e se formou em piano pelo Conservatório de Milão com especialização em composição e regência. Além de Itália e Brasil, regeu Orquestras em países como Bélgica, Bulgária, Croácia, Holanda, Israel, Japão, República Checa, República Eslovaca, Rússia, Sérvia e Suíça. Pelos méritos artísticos realizados no Exterior, foi agraciado pelo Presidente da República Italiana com o título de “Cavaliere dell’Ordine della Solidarietà”. Atualmente é Regente Assistente do Theatro Municipal de São Paulo.

 

O pianista Matheus Alborgehtti, que se formará como Bacharel em Piano pela Embap/Unespar, trabalha no meio operístico como colaborador/correpetidor desde 2014 e com corais desde 2009. Atualmente é regente do Coral Ítalo-brasileiro do Circolo Italiano di Joinville, e desenvolve trabalhos de correpetição operística e de música de câmara com diversos instrumentistas, cantores e corais.

 

O projeto “Ópera, Por Que Não?” nasce da vontade de lançar uma semente que possa germinar e florescer nos próximos anos, sendo ponto de partida para o encontro do público com este gênero artístico e também para o desabrochar de novos artistas, ideias, obras e pesquisas relacionadas a esta arte que ainda provoca curiosidade, contemplação e encantamento. Mais informações sobre o projeto, inscrições e atividades (como o Workshop com Izabel Padovani), podem ser obtidas pelo e-mail: ibravissimiprojetos@gmail.com ou pelo Whatsapp +55 43 99609-9796.

 

O projeto também está no Instagram no perfil @opera_pqnao. Toda a produção e execução do projeto leva a assinatura da PÁ! Artística, sendo que a proposta tem ainda, como parceria, a Associação de Amigos do Festival de Música de Londrina e o apoio do Conservatório Musical de Londrina, Sesc Londrina e AML Cultural.