Concerto propõe uma imersão na estética da música barroca e na relação entre som, linguagem e retórica, com recital às 19h e ingressos disponíveis pelo Sympla
O músico Gonzalo Rebeläto traz ao palco do Teatro Crystal Palace o concerto “Cravo Barroco: do som à palavra”. O recital do cravista londrinense – que integra a programação do 46º Festival Internacional de Música de Londrina (46º FIML) – apresenta o som autêntico do barroco e retrata a proposta expressa no título do concerto.
Segundo o cravista, Do Som à Palavra é um convite para celebrar a bênção de perceber o texto por meio de uma arte que atravessa os séculos. “Os sons bons são as consoantes que, quando nos afetam, provocam um sentir que movimenta o mundo. A harmonia de uma dor pulsante e uma caixa de madeira. Esse é o cravo. Enquanto o tempo, senhor de todas as coisas, persiste e, ainda assim, nos lembramos da música em uma palavra, é porque apenas o som não basta”, explica o músico.
Rebeläto comenta, ainda, que, em linhas de pensamento europeias dos séculos XIX e XX, a principal ferramenta da música antiga é a retórica, estudada na filosofia. Dessa forma, o foco do olhar recai sobre a literatura dos tratados e das obras musicais produzidas pelos profissionais atuantes da época, considerando os rituais, os elementos de simbologia do afeto e a prática predominante nos centros de convívio: as praças, os palácios, as casas e as igrejas.
“Essa filosofia enxerga a música como um texto literário universal, capaz de ser transformado em tudo o que possa interagir conosco. Um sonho, um cenário, um gesto, um cheiro, um ruído, uma palavra, uma consoante, uma cor. E vice-versa. O que une todos esses elementos à música é a capacidade de provocar uma reação e, eventualmente, plantar uma ideia. Por exemplo, algumas cores transmitem tranquilidade; outras, atividade”, reforça Gonzalo Rebeläto.
Completando o pensamento, o cravista explica que as palavras, por sua vez, são arquitetadas de maneira retórica, conforme a seriedade de suas consoantes e o significado de seus fonemas em seus respectivos idiomas. Palavras mais arredondadas (em forma e sentido) possuem letras também mais macias, como bola, bobagem, babador, bebê e brinquedo. Enquanto isso, assuntos sérios precisam de consoantes potentes, como em crematório, tristeza, vício, investigar e psicose.
A sutileza de uma frase musical, com notas, acordes e afetos, é paralela à de uma conversa entre amigos, com palavras, gestos e emoções. O rigor de encontrar as sílabas mais adequadas para se expressar é o artesanato que guia a prática e a pesquisa em música antiga.
O recital “Cravo Barroco: do som à palavra” começa às 19h, e os ingressos podem ser adquiridos pelo site do Sympla, com valores de R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia).
De cravista a educador
Gonzalo Rebeläto é cravista, organista, pianista, compositor e educador musical, com destacada atuação na música antiga e na performance historicamente informada. Licenciado em Música pela UEL, possui MBA em Neurociência da Aprendizagem pela USP e formação em Cravo e Léxico em Música Antiga pela EMESP Tom Jobim, onde se especializou no instrumento.
Aperfeiçoou-se com renomados intérpretes internacionais e participa regularmente de importantes festivais de música antiga no Brasil. Em 2024 realizou turnê pela Itália e Suíça e, em 2025, recebeu expressivas premiações internacionais, entre elas o Fenix Award International Music Competition, o Brahms International Music Competition, o Beethoven Award e o UK WOMCO International Competition, além do Prêmio Especial de Interpretação Poética.
Sua projeção internacional lhe rendeu convites para atuar como diretor musical e cravista em festivais e grupos especializados no Brasil, Estados Unidos, Espanha e Holanda. Em 2026 foi convidado pela Oficina de Música de Curitiba para o concerto em homenagem ao cravista Roberto de Regina e prepara seu ingresso no mestrado em Interpretação de Música Antiga, em Barcelona. Paralelamente, desenvolve projetos de formação musical em Londrina, com ampla experiência em música de câmara, ensino de piano e musicalização infantil.
Serviço:
46º Festival Internacional de Múisica de Londrina.
Concerto: Gonzalo Rebeläto / “Cravo Barroco: do som à palavra”.
Local: Teatro Crystal (Rua Quintino Bocaiúva, 15 – Centro)
Dia: 15 de julho/quarta-feira.
Horário: 19h
Ingressos, pela plataforma sympla. Valores: R$ 40,00 inteira e R$ 20,00 a meia-entrada.
Assinatura
O 46º Festival Internacional de Música de Londrina é uma Promoção da Secretaria Estadual de Cultura/Paraná; Prefeitura do Município de Londrina/Secretaria Municipal de Cultura; Universidade Estadual de Londrina/Casa da Cultura e Associação de Amigos do Festival de Música de Londrina.
Realização: Ministério da Cultura : projeto viabilizado através da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet e projeto “Paraná Festivais” – com o Ecossistema Hotmilk/PUCPR, aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura/Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
Patrocínio: Secretaria Municipal de Cultura de Londrina (PROMIC); Unimed Londrina; Husker; Grupo Marajó; Indrel Scientific; P. B. Lopes; Sinpro Londrina.
Apoio Institucional: Associação Médica de Londrina; FUNCART – Fundação Cultura Artística de Londrina; Escola IEIJ – Instituto de Educação Infantil e Juvenil; Colégio de Aplicação UEL; Colégio Estadual Hugo Simas; Banda Marcial Marcelino Champagnat; 1° Igreja Batista de Londrina; Instituto José Gonzaga Vieira; Estúdio Primovere; Rede Brasileira de Prática Musical Reflexiva; MK Culturarte; Secretaria Municipal do Idoso; Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa; UEM – Universidade Estadual de Maringá- Pró-Reitoria da Extensão e Cultura (PEC); Crillon Palace Hotel; Crystal Palace Hotel; Cultural Hall; LDN Grill; Jóia Cozinha & Boemia; Lá Casita; Bar Valentino; Bravino Wine Concept; UEL FM, 107,9; e Folha de Londrina.
Apoio Institucional de Projetos Sociais: NEOJIBA (BA); Aprendiz Musical (RJ); ASM – Ação Social pela Música do Brasil (RJ); ASM Petrópolis (RJ); Instituto Baccarelli (SP); Projeto Guri (SP); IZP – Instituto Zeca Pagodinho (RJ); Orquestra de Câmara de Carajás Parauapebas (PA); PRIMA – Programa de Inclusão Através da Música e das Artes (PB); Orquestra da Rocinha (RJ); Instituto Cultural Alto da Colina (BA); Conservatório de Tatuí (SP); ATMC – Academia Teixeirense de Música Concertante (BA); Vale Música ES (ES); OSB Jovem (RJ). Projeto Arte & Vida (Arapongas/PR).