O FIML ofereceu 42 cursos e teve 1131 inscrições de alunos de todo o país e do exterior; evento se consolida como referência na educação musical inclusiva

Eduardo Assad Sahão e Magali Kleber. Foto: Fabio Alcover

O 45º Festival de Música de Londrina chegou ao fim deixando um rastro de melodias, aprendizados e vidas transformadas. Sob a coordenação geral da professora Magali Kleber, o evento consolidou-se mais uma vez como uma das principais referências em educação musical do país, oferecendo uma experiência que vai muito além do ensino técnico.

“Do ponto de vista pedagógico, demos um salto com a oferta de bolsas, cursos que atendem a formação do educador musical, do músico, também à expectativa do cidadão, das pessoas que querem participar do festival, porque isso dá felicidade”, avalia a coordenadora. Para ela, essa multiplicidade de propósitos é o que torna o projeto especial: “O projeto pedagógico tem essa característica de ser múltiplo, mas ser profundo, propor experiências bem elaboradas, trazendo profissionais qualificados para a sala de aula.”

Uma década de transformação social

Um dos aspectos mais significativos desta edição foi o amadurecimento visível das ONGs participantes. “São 10 anos desse projeto que começou em 2015. Isso é importante para nós, educadores que trabalhamos com políticas públicas de formação, porque mostra que mesmo um evento que acontece uma vez por ano, ele impacta várias organizações sociais no Brasil, impacta a cidade, impacta vidas”, destaca.

A professora observa que o festival criou uma rede que se renova anualmente: “É possível observar pelo depoimento das pessoas que voltam e voltam todo ano, dizer que estamos contribuindo com a educação musical no país.”

Tradição e modernidade em harmonia

O projeto artístico desta edição, assinado por Eduardo Assad Sahão, equilibrou tradição e inovação, contemplando a música erudita com recitais e concertos de orquestras como a OSUEL, e a pianista Erika Ribeiro com o contrabaixista Rodrigo Fávaro, com vertentes da nova cena musical com os shows de Mundana Refugi, Vanessa Moreno pela primeira vez em Londrina, além de grandes nomes da música como Egberto Gismonti, música antiga com Studium Musicae, e os talentos locais como o Senhor Bonifácio com homenagem única aos Beatles.

Dos musicais oferecidos, as montagens dos alunos, as diferentes séries que circularam pela cidade com jazz, samba e choro, o Circuito Pé Vermelho e a extensão de shows até a cidade de Arapongas com três dias de agenda, demonstraram o alcance e a diversidade do festival. “Encerramos o festival com a Orquestra de Projetos Sociais com 105 músicos no palco. Esta 45ª edição teve uma programação artística esplêndida porque abrangeu a pluralidade que o festival sempre busca, incentivando uma escuta aberta para esta riqueza sonora que é o Festival de Londrina”, reforça o diretor artístico, Eduardo Sahão.

Vozes dos participantes

A riqueza do festival pode ser medida também pelos depoimentos dos participantes. Gideôni Loamir Veríssimo, professor de violino de Belo Horizonte, destacou a dimensão humana do evento: “Este encontro de diversos projetos do Brasil ligados à música é muito bom e me sinto feliz em participar. Eles compartilham não só a música, mas suas histórias. Uma experiência em arte, entretenimento e educação, que vão levar para a vida.”

Para Henrique Anísio de Andrade e Lima, violoncelista do Espírito Santo que participava pela primeira vez, o festival representou um salto técnico: “Ajuda muito tecnicamente esta participação no festival. Encontramos outros alunos nos grupos de estudos e conhecemos outras formas de tocar, outras técnicas e aprendemos muito.”

Vinícius dos Santos Pereira, contrabaixista do Rio de Janeiro, elogiou tanto a programação quanto a organização: “Gostei muito das atividades, em especial da ‘Série Prelúdio’, que abria os concertos no Teatro Ouro Verde. Achei também o corpo docente e a produção do festival bastante engajados. Este engajamento ajudou muito no aprendizado.”

A clarinetista gaúcha Bruna Dias da Silva resumiu o sentimento de muitos participantes: “Foi incrível. Uma experiência que vou guardar para a minha vida toda. Tive aulas maravilhosas com o professor Alexandre, muita musicalidade, ritmos, participei de MPB, de formação de Banda e Orquestra. Foi uma loucura conciliar tudo, mas consegui e espero estar aqui novamente no ano que vem.”

Assinatura

A 45ª edição do FIML é promovida pelo Governo do Estado do Paraná – Secretaria Estadual de Cultura; Prefeitura do Município de Londrina – Secretaria Municipal de Cultura; Associação de Amigos do Festival Internacional de Música de Londrina, com o apoio institucional da Universidade Estadual de Londrina/ Casa da Cultura. Realização: Ministério da Cultura/Governo Federal (projeto viabilizado através da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet).

Patrocínio: Secretaria Municipal de Cultura de Londrina (PROMIC); Unimed Londrina; Sanepar/Governo do Paraná; Husker; Grupo Marajó; Consórcio União; Dentalclean, e Sinpro Londrina.

Patrocínio direto: Itaipu Binacional.

Apoio direto: Secretaria de Estado do Turismo (Setur).

Apoio Institucional: Prefeitura Municipal de Arapongas/Secretaria Municipal da Cultura; Associação Médica de Londrina; Instituto de Educação Infantil – Escola IEIJ; Colégio de Aplicação UEL; Colégio Estadual Hugo Simas; Banda Marcial Marcelino Champagnat; 1° igreja Batista de Londrina; Crillon Palace Hotel; Crystal Palace Hotel; Cultural Hall; LDN Grill; UEL FM, 107,9 e Folha de Londrina.

Apoio Institucional de projetos inclusivos: Projeto PRIMA (PB); Conservatório de Tatuí (SP); Projeto Vale Música (ES); Projeto Sons do Nosso Lar (AL); Projeto Orquestra Maré do Amanhã (RJ); Projeto Arte & Vida (PR); Projeto Flua Cultura (PR); Escola de Música da Rocinha (RJ); Aprendiz Musical (RJ); Jovenil del Sodré (Uruguai ); Orquestra Jovem Itaguaí (RJ); Orquestra Jovem da Grota (RJ); Orquestra Jovem Rio Grande do Sul; Rede Brasileira de Prática Musical Reflexiva; Universidade Federal do RN ; Instituto Zeca Pagodinho (RJ).