A Rede Brasileira de Práticas Musicais Reflexivas é parte fundamental da engrenagem que viabiliza a existência e o formato pedagógico da Orquestra Social no Festival Internacional de Música de Londrina (FIML).
Liderada no Brasil pela Prof.ª Dr.ª Magali Kleber, diretora do FIML, e coordenada pelos professores Carla Rincon, Eduardo Sahão e Rodrigo Belachio, a Rede atua como uma plataforma interdisciplinar que conecta gestores, professores e estudantes de projetos socioculturais de música de diferentes regiões do Brasil e da América Latina.
Articulação nacional e inclusão sem seleção
Diferente de outros grandes festivais de música do país, o modelo adotado pela Rede no FIML elimina o processo tradicional de audição competitiva.
Os estudantes que integram a Orquestra Social são indicados diretamente pelas coordenações de seus projetos de origem, presentes em diversos estados brasileiros. Nos meses que antecedem o Festival, as instituições parceiras recebem o repertório com antecedência, permitindo que os participantes estudem as obras e recebam orientações antes de chegarem a Londrina.
O conceito de prática reflexiva
O termo que dá nome à Rede define também a metodologia de ensino aplicada durante os ensaios da Orquestra Social. Inspirada em pesquisas sobre liderança musical engajada e em práticas colaborativas de formação, a prática reflexiva propõe uma abordagem que integra aprendizado técnico, escuta ativa, consciência social e protagonismo dos participantes.
Mais do que executar ordens em uma estrutura tradicional de ensaio, os estudantes são convidados a compreender seu papel artístico, comunitário e cultural dentro do processo musical. A proposta é desconstruir e reconstruir o fazer musical profissional, valorizando a aprendizagem coletiva e a troca de experiências entre diferentes realidades sociais.
Encontro de gestores e intercâmbio entre projetos
Durante o FIML, a Rede Brasileira promove também o Encontro de Gestores de Projetos Sociais, espaço dedicado ao diálogo entre lideranças de iniciativas que utilizam a música como ferramenta de transformação social.
O encontro reúne representantes de projetos de diferentes regiões do país para debater políticas públicas de cultura, sustentabilidade financeira, metodologias pedagógicas e estratégias de atuação em contextos socioculturais diversos.
Ao integrar formação musical, reflexão pedagógica e articulação institucional, a Rede Brasileira de Práticas Musicais Reflexivas fortalece a presença da Orquestra Social no Festival e reafirma o papel do FIML como espaço de encontro, inclusão, formação e transformação pela música.